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Educação financeira, aprenda essa lição ou passe a vida escravizado pelo dinheiro

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Eu sempre fui uma pessoa que não me preocupava em guardar dinheiro, até que comecei a namorar a Hariana. Antes de nos casarmos, eu nunca entendia como uma menina que ganhava tão pouco e ainda tinha uma filha para criar sozinha, conseguia guardar dinheiro. Até que assim que casamos, percebi logo de cara, que o segredo de sua eficiente gestão financeira estava na abdicação. Me apaixonei ainda mais!

Eu queria guardar dinheiro! Nessa época, nossa renda familiar total era de R$ 1.600,00, pagávamos R$ 500,00 de aluguel e o que sobrava usávamos para manter Isabela, Hariana, eu e o Daewoo (carro). Esse último andava quebrando sem parar.

Implantamos em comum acordo em nossa casa, um programa de contenção de gastos, o qual chamamos de fome zero, uma alusão ao programa governamental que passava o dia inteiro em comerciais de televisão e tinha como alicerce erradicar a fome gastando pouco. Nada mais era do que a aplicação dos princípios da Hariana, não gastar um único centavo no que não fossem extremamente necessário. Para se ter uma ideia de como levamos isso a sério, marcávamos de comer uma pizza com quatro meses de antecedência e ficávamos imaginando o quanto seria bom no dia em que o porteiro interfonasse anunciando a chegada do motoboy com a pizza com sabores também já previamente definidos, meio napolitana e meio portuguesa.

Um certo dia, Hariana e Isabela voltando da escola vinham conversando enquanto caminhavam por cerca de 1 km até em casa. De repente, ao olhar para o chão, Isabela achou uma nota de vinte reais e não havia ninguém na rua, a nota seria dela! Ao chegar em casa, aquela menina de sete anos de idade exalando felicidade, com ar de traquinagem perguntou-me se poderíamos comer uma pizza. Eu sentei com ela e expliquei novamente o nosso compromisso em guardar dinheiro e ela com um sorriso maroto me disse: “E se eu pagar?” Ela não se aguentava de tanta felicidade, aquela menina de sete anos estava radiante com a oportunidade de jantar uma deliciosa pizza.

Após a chegada da pizza, sentamos, agradecemos e comemos cada pedaço, saboreando vagarosamente. No final, a garotinha realizada por ter comido a pizza e triste por ter gastado o seu único dinheiro exclamou: “nós podemos até nunca mais comer pizza, mas eu nunca mais pago!” E nós três rimos sem parar da situação.

O fato é que nosso plano para guardar dinheiro funcionou e dez meses depois já tínhamos R$ 4.500 reais. Olhando pela janela do meu apartamento, no bloco da frente tinha um Fiat Uno com aparência judiada, mas que estava excelente para ser o primeiro carro da Hariana. Ela ainda nem possuía a CNH, mesmo assim, liguei no telefone e fiz uma proposta, o Dono não aceitou, ele queria R$ 6.000. Mas ele falava o tempo todo que quando o carro saísse da oficina entraria em contato e no meio da conversa eu indaguei: “Sou seu vizinho, moro no bloco da frente”. Ele perguntou onde eu estava e onde era meu prédio, assim que respondi, subitamente aquele homem teve um ataque de fúria e desligou.

Alguns minutos depois retornou à ligação e me explicou que o carro estava em uma oficina e o mecânico estava usando o carro para trabalhar como porteiro no meu prédio. Enfim, chegamos em um acordo e ele aceitou os meus R$ 4.500 mais R$ 500 em duas vezes.

Realizado, peguei o carro que seria o veículo da Hariana e fui para frente da Futura treinamentos, (atual EVOLUTE) embelezá-lo para presenteá-la. Comprei calotas, cera de polir, capa de volante e outros pequenos acessórios que foram deixando o carro com um aspecto bem melhor. Nessa hora, João Ecredio e Ezequiel Praxedes estavam em Taubaté para ver o novo modelo de atendimento que estávamos testando. Vieram até a unidade, onde me encontrariam e eu os levaria até o Alexandre. Foi a aí que o destino aprontou mais uma de suas surpresas. Eles me olharam e me ofereceram sete computadores novos em troca do Fiat Uno.

Isso era sacanagem, se houvessem oferecido dinheiro, talvez eu negasse, mas computadores não dava para negar. Ainda meio aturdido com a venda, meio sem jeito de contar para a Hariana que havia vendido o carro dela, liguei para o Alexandre e contei a novidade, esperando ouvir o que ele queria fazer. Imediatamente, eufórico e imbuído de uma coragem que sempre o acompanhara ele sugeriu que abríssemos outra escola.

Senti medo, mas no dia seguinte começamos a procurar um ponto comercial na cidade vizinha. Na manhã seguinte, fomos procurar a igreja do distrito de Moreira César, em Pindamonhangaba, para ver se o padre nos cedia um espaço para instalarmos os computadores e aplicar cursos com valores subsidiados aos moradores locais. Não só negou a parceria, como nos aconselhou a não realizar cursos naquela localidade, segundo o pároco, as pessoas de lá não pagavam para ter algo que a prefeitura oferecia de graça.

Graças a Deus, nesse dia não seguimos as orientações do pároco e continuamos atrás do aluguel de um ponto comercial que coubesse em nosso orçamento. Achamos uma sala comercial que tinha aproximadamente 35m² com uma divisão no meio e um banheiro. Perfeito! Só tínhamos sete computadores, um iria para recepção e seis para a sala de aula, essa relativa falta de espaço seria preenchida facilmente com o que tínhamos de computadores e móveis. Em poucos dias, fizemos as instalações e adaptações mínimas, como a bancada e a rede. A escola ficou um brinco. Empregamos lá todas as nossas reservas e como um ônibus espacial não nos permitiria erros, colocaria tudo a perder. Fizemos uma divulgação e tanto, um barulho danado no distrito, como se tivesse chegando uma grande empresa e marcamos um único dia de inscrições para a promoção de inauguração.

Trecho do livro sobre a minha autoria: Sinônimo de Sucesso

Vinicius Almeida Carneiro

CEO Evolute Profissionalizantes e Idiomas

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