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Menos mimimi e mais foco!

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O comportamento no ambiente corporativo vem sofrendo transformações ao longo dos anos, e isso não é novidade para ninguém. Líderes precisam se reinventar constantemente para tentar agradar os jovens da geração Z que estão inseridos no mercado de trabalho.

O fato é que os nascidos a partir de meados da década de 90 são responsáveis por boa parte do quadro de colaboradores da maioria das empresas, especialmente as que têm viés de tecnologia. A grande questão é descobrir como fazer para administrar conflitos e motivar, se respeito e tolerância são qualidades escassas em jovens da geração Z.

Sou um legítimo representante da geração X, venho de um tempo em que meu primeiro emprego era apenas uma pasta. Parece estranho, mas é exatamente isso! Os selecionados no processo seletivo ganhavam um treinamento e uma pasta de papel que continha os seguintes itens: contrato, carbono e caneta. Vale transporte, carteira assinada, salário fixo ou qualquer outro benefício não existia. A medida que pegávamos a sonhada pasta, saíamos em busca de telefones públicos munidos de fichas e cartões telefônicos e começávamos o agendamento das visitas. Na sequência, visitávamos os clientes previamente agendados em suas casas ou local de trabalho, e fazíamos as matrículas para o curso de inglês.

 

Tudo na vida tem os prós e os contras, com a minha primeira experiência profissional não foi diferente.

Os contras são óbvios, era um perrengue danado, o mês que não vendíamos bem, praticamente pagávamos para trabalhar. Havia um pequeno grupo de pessoas que desistia do trabalho após uma semana. Normalmente, quem passava da primeira semana, só saía quando encontrava uma chance de empregar seus esforções em algo mais escalável. A falta de vale transporte se transformava em longas caminhadas no primeiro mês. Caminhei centenas de quilômetros até conseguir renda para financiar meu transporte público e posteriormente comprar meu primeiro veículo.

Já os prós, só foram percebidos no longo prazo. O fato é que toda dificuldade encontrada na função de “vendedor externo”, cujo único recurso era uma pasta com contratos e canetas, se transformaram em qualidades fundamentais que alicerçaram a minha ascensão profissional. Sou muito grato a meu antigo patrão por ter me ensinado o valor das conquistas de uma maneira diferente. Costumo dizer que aprendi a ganhar dinheiro e criar oportunidades da mesma forma que se aprende a andar de bicicleta caindo, levantando e aprendendo naturalmente, daquela forma que você nunca mais esquece.

 

Abaixo segue a lista dos aprendizados que tive em meu primeiro emprego:

1-     Aprenda a viver de comissões.

Renda variável é o segredo das pessoas que conseguem acumular grandes fortunas. Quando você se torna um gerador de dinheiro, suas possibilidades se multiplicam e provavelmente será uma pessoa de sucesso.

2-     Feche a venda!

Existia uma modalidade na empresa que era uma espécie de venda kamikaze, você ganhava um vale transporte para a ida e se vendesse poderia retirar o dinheiro do ônibus na volta. Se não vendesse, voltava a pé refletindo sobre os erros no processo de vendas. Mesmo sendo considerado por muitos um método cruel e arbitrário, ele funcionou muito bem. Antigamente, fazia cerca de 20 matrículas por mês, hoje em dia faço cerca de 50 mil matrículas por ano.

3-     Menos mimimi e mais foco.

Qualquer distração ou perda de foco durante o uso dos orelhões (telefones públicos) era o suficiente para não ouvir mais nada e perder a chance de agendar uma visita que poderia resultar em uma venda. Se você é o tipo de pessoa que perde a concentração com tudo, aprenda a controlar o seu foco e a deixá-lo seletivo. É praticamente impossível vencer a concorrida disputa do mercado se você não for um especialista em foco.

4-     Educação financeira.

Gastar todo o dinheiro era passaporte garantido para longas caminhadas no mês seguinte. Como também não havia vale refeição, era necessário guardar dinheiro e não usá-lo de maneira compulsiva, ao menos se desejasse comer miojo ou marmita o mês todo. O planejamento orçamentário individual é um dos responsáveis pelo sucesso ou falência de um indivíduo.

5-     Resiliência.

Essa é a habilidade que deveria ser ensinada por todos os pais aos seus filhos. Existe algo que supera todos os obstáculos na vida, perseverança. Não existe dificuldades que não sucumbam diante de uma pessoa perseverante. Quando as coisas não estiverem dando certo para você, experimente tentar mais um pouco.

6-     Lavagem cerebral

Atualmente denominado de mindset, em meu tempo existia técnicas de neurolinguística, que minha mãe chamava carinhosamente de lavagem cerebral. Todos os dias na empresa tínhamos duas reuniões, uma na parte de manhã e outra na parte da tarde, e em todas elas assistíamos vídeos de palestrantes de sucesso que diziam basicamente a mesma coisa: se você for motivado, estudioso, resiliente e outras coisas, vai alcançar sucesso e prosperidade. Funciona? Sim!

Além dos 6 principais citados acima, poderia passar um dia inteiro falando dos aprendizados que tive com o meu primeiro emprego e o quanto sou grato a ele. Mas e os jovens da geração Z? Como será que os tecnológicos e informados jovens lidam com situações adversas? Normalmente desistem com facilidade e fazem pouco caso de qualquer pessoa mais velha que tenta explicar sobre as armadilhas do cérebro. Armadilhas que são preparadas de maneira subconsciente e que só conseguiremos enxergá-las anos mais tarde quando paramos para refletir sobre oportunidades desperdiçadas.

Eu sei que nosso futuro está nas mãos dos jovens e eles são os senhores do destino, que em poucos anos irão governar as organizações públicas e privadas no planeta. Então, se eu pudesse dar um conselho a todos os talentosos da geração Z, que por ventura venham a ler esse artigo, seria direto e sem rodeios. MENOS MIMIMI E MAIS FOCO!

Para você que não pertence a essa geração e precisa aprender a lidar com essas particularidades, tente entender o lado deles e de forma empática. Encontre maneiras de fazê-los aprender a dosar suas capacidades tecnológicas e intelectuais com a velha e boa perseverança, que será tão importante na construção de uma carreira de sucesso.

Para um equilibro na convivência das gerações no mesmo ambiente corporativo a palavra de ordem é paciência!

 

Vinicius Almeida Carneiro

CEO Evolute Profissionalizantes e Idiomas

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